Números recentes mostram um aumento alarmante de suicídios entre mulheres no Japão. Somente em maio deste ano, 603 mulheres tiraram a própria vida —
uma elevação de 21% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com isso, número ano a ano vem aumentando por 12 meses consecutivos, uma tendência preocupante, que reflete o desespero econômico causado pela pandemia do coronavírus.

“Perdi meu emprego de meio período por causa da pandemia”, o relatório cita a frase de uma participante. “Meu marido grita comigo todos os dias por ser preguiçosa. Se a vida continuar assim, não sei o que vou fazer. Só quero desaparecer.”
Uma mãe solo de uma criança com transtorno de desenvolvimento procurou ajuda depois que o coronavírus a forçou a ficar em casa, longe de sua rede de apoio habitual. “Criar meu filho já é difícil o suficiente em tempos normais”, disse ela. “Mas agora não posso me encontrar com outras mães ou visitar minha família. Não sei se posso continuar isso sozinha. Só quero morrer, para que tudo seja mais fácil.”
Mesmo seis meses depois do lançamento, o relatório se provou altamente preciso. Os períodos de estado de emergência no Japão tiveram um efeito desproporcional para as mulheres — especialmente para aquelas com empregos não regulares — já que restaurantes e hotéis foram solicitados a fechar. De acordo com um levantamento do instituto de pesquisa Nomura, 29% das mulheres que trabalham em empregos de meio período tiveram seus turnos reduzidos durante a pandemia, e 13% tiveram suas horas de trabalho reduzidas em mais da metade.
Embora os homens também tenham sido duramente atingidos, os efeitos são muito menos salientes. A pesquisa do instituto Nomura considera pessoas cujas horas foram reduzidas em mais da metade durante a pandemia sem qualquer forma de pagamento como “praticamente desempregadas”. Pouco mais de um milhão de mulheres se enquadram nesta categoria. Entre os homens, o número cai para 434 mil.
“Existe uma necessidade urgente de melhorar as condições de trabalho para as mulheres”, diz Takeda Kana, consultor sênior da Nomura. “Isso não deve ser feito apenas por meio de medidas principalmente voltadas para os homens. Precisamos de políticas específicas para as mulheres se quisermos concretizar uma sociedade sustentável”.
Novo escritório governamental aborda questões sociais da pandemia
Em fevereiro, o governo japonês abriu um novo escritório para lidar com as questões de solidão e isolamento decorrentes da pandemia. Sakamoto Tetsushi, ministro do gabinete responsável por esses esforços, diz que o objetivo é fazer com que as pessoas saibam que não estão sozinhas.
“O número crescente de suicídios, especialmente entre mulheres, pode se tornar um sério problema social se algo não for feito”, diz ele. “Temos que tentar entender os problemas que as pessoas enfrentam e oferecer ajuda”.
Em 28 de junho, o governo divulgou medidas específicas, incluindo formas de ajudar organizações sem fins lucrativos e outros grupos de apoio e uma pesquisa em todo país para entender a dimensão do problema.
fonte: https://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/news/backstories/1697/